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Antes do tempo, três Supra-Singularidade, criadas pelo Desconhecido, vagavam pela imensidão vazia do Abyssethar.
Haviam Noctus, o portador das seis almas primordiais; Fringilla, o portador das cinco almas epilogais; e Illiphar, o legislador supremo.
O vazio os incomodava profundamente, impulsionando-os a atravessar eternos vácuos temporais em busca de uma forma de preenchimento.
Foi então que Noctus e Illiphar, trabalhando em conjunto, moldaram pequenos conjuntos de matéria nula e criaram as primeiras Singularidades.
Essas Singularidades, dotadas de inteligência e um senso de pertencimento, receberam uma parte do poder das Supra-Singularidade.
No entanto, Fringilla não admitia tais criações e as considerava profanas para a existência.
Movido por sua convicção, ele começou a caçar e pulverizar implacavelmente esses seres recém-criados.
Para facilitar seu trabalho, Fringilla forjou a Lâmina φ, uma arma capaz de desintegrar as Singularidades em matéria nula com um único corte.
Ao tomar conhecimento desses acontecimentos, as demais Supra-Singularidade declararam guerra contra Fringilla, seu próprio irmão.
Durante a batalha épica que se seguiu, várias Singularidades foram vencidas pela implacável Lâmina φ.
No confronto final, Noctus e Fringilla se aniquilaram mutuamente, liberando uma torrente de poder que se espalhou por todo o Abyssethar.
O caos reinou por alguns instantes, até que esses poderes se fundiram e se transformaram em uma chama poderosa, conhecida como Eterna.
Illiphar, como a última Supra-singularidade remanescente, atribuiu funções às Singularidades restantes.
Algumas foram incumbidas de moldar novas Singularidades, enquanto outras garantiam que a chama de Eterna, simbolizando a memória dos irmãos caídos, nunca se apagasse.
Eterna, por sua vez, recebeu a missão de espalhar as criações das Singularidades por toda sua extensão, além de ser o ponto final da jornada de tudo e todos, perpetuando assim o ciclo eterno da chama.
Logo após colocar tudo em ordem Illiphar se juntou a seus irmãos fundando a base de Eterna, uma braseiro lustroso, similar a um templo chamado de Ignitário.
Uma das Singularidades mais antigas, Aevum Primus, entregou-se com fervor à sua busca criativa.
Sua dedicação incansável o conduziu ao desenvolvimento de uma ponte interdimensional, possibilitando a observação íntima de suas próprias criações.
Ele acreditava que somente dessa maneira seria capaz de analisar e aprimorar seu trabalho com precisão.
No ano 0,Aevum Primus finalmente conseguiu criar um meio de adentrar em Eterna.
Ele desenvolveu uma espécie de porta interdimensional, utilizando uma estrela que foi levada ao colapso.
Ao atravessar essa ponte entre os planos, Aevum Primus teve sua existência comprimida, seus poderes como Singularidade foram reduzidos e ele experimentou a dor mais intensa que um ser poderia suportar.
Por decisão do próprio Illiphar base fundamental de Eterna, nenhuma Singularidade poderia adentrar o plano de Eterna sem autorização do Ignitário e por tanto Aevum Primus estava preso neste local.
Aevum Primus, agora imerso no plano em que havia trabalhado por eras, encontrou-se em um corpo físico e sujeito às leis da Eterna, impossibilitando seu retorno ao plano anterior. Assim, ele se tornou a primeira Divindade, preso nesse novo estado.
Movido pela frustração e ódio de não poder retornar ao seu plano superior, Aevum Primus retomou seus estudos e chegou à conclusão de que a única maneira de voltar à sua origem seria por meio do roubo de poder de outras Singularidades. Seu objetivo era absorver poder até que a chama não pudesse mais contê-lo, transcendendo assim para uma nova forma de Singularidades.
Com tudo meticulosamente planejado, Aevum Primus deu início a um processo de manipulação, atraindo diversas outras singularidades para migrarem para o plano da chama. No entanto, Aevum Primus ainda não havia desenvolvido um método para fundir os poderes das singularidades. Como solução temporária, ele formou um grupo chamado de Ordem dos Firmamentos com mais de cem mil integrantes, selecionando alguns de confiança para serem seus aliados mais próximos. Entre eles estavam Aelon, Valorian e Solara.
Os quatro protagonistas debatiam intensamente sobre a fusão de poderes e as possíveis consequências que poderiam surgir. Essas discussões se estenderam por anos, até que uma das divindades, Callista, ouviu secretamente o que estava sendo dito e descobriu os planos de Aevum Primus.
Callista, preocupado com as intenções de Aevum Primus, alertou os outros divinos sobre a situação. No entanto, nem todos acreditaram em suas palavras, duvidando da veracidade do alerta. Aqueles que confiaram em Callista uniram-se a ele em um plano de fuga meticulosamente elaborado, que foi executado com maestria.
Ao se refugiarem em um recanto remoto da Eterna, as divindades encontraram um lugar frio e vazio. Para trazer luz e calor ao ambiente, eles criaram uma estrela, nomeando-a de Sol. Além disso, eles deram origem aos planetas, que serviam como refúgio e preparação para possíveis confrontos, semelhantes a tendas de guerra.
A "tenda" principal, onde as discussões estratégicas ocorriam, recebeu o nome de Arre. Foi lá que as divindades passaram a maior parte do tempo, discutindo táticas defensivas e medidas de espionagem contra a Ordem dos Firmamentos, mantendo-se preparados para enfrentá-los.
Com o passar dos anos, Aevum Primus e os membros da ordem conseguiram desenvolver um método para unir Divindades, sacrificando aqueles que se recusaram a seguir Callista para satisfazer a sua própria loucura. Embora tenham obtido o poder de dez mil divindades , Aevum Primus e seus três protegidos ainda não conseguiram retornar ao plano de origem.
Enfurecidos e sedentos por vingança, eles partiram em busca dos fugitivos, dando início à lendária batalha entre os membros da Ordem dos Firmamentos e os Seguidores de Callista. Essa batalha se tornou um ponto de ruptura, onde as forças dos dois lados colidiram em uma luta épica e sem precedentes.
Quando os soldados da Ordem dos Firmamentos adentraram o sistema solar, os Seguidores de Callista sentiram-se abalados diante do poder ameaçador das divindades assassinas. No entanto, esse sentimento de temor foi rapidamente substituído pela coragem quando testemunharam Callista avançando contra os inimigos, empunhando sua espada flamejante.
Nessa batalha acirrada, muitos dos Seguidores de Callista foram apagados da existência, mas como em toda batalha, ela chegou a um fim. Callista e seus seguidores sobreviventes se sacrificaram para proteger sua criação, selando os membros da Ordem dos Firmamentos e a quimera que Aevum Primus avia se tornado em uma Dimensão inferior, conhecida por muitos como inferno, lá ele almeja a liberdade e a vingança.
Após a batalha, houve um breve período em que a chama não abrigava mais Divindade. No entanto, a cada dia, novas singularidades caíam nas antigas armadilhas criadas por Aevum Primus, ascendendo à condição de divindades.
O sistema solar, agora desprovido de divindades, testemunhou o resfriamento rápido dos planetas que outrora ferviam com poder. Por volta de 15.000 a.C., a vida emergiu em Arre, mas de uma forma grotesca e deformada. Criaturas agonizantes surgiam de lagos radioativos, vagando pela terra, clamando pelo fim de sua existência.
Após milênios arrastando-se pelo solo, uma divindade recém-chegada do plano da chama, conhecida como Hego, o Deus da Vida, vagava próximo ao sistema solar e ouviu, ao longe, os gemidos de desespero das criaturas que habitavam a terra, suplicando pela morte. Aproximando-se, a divindade contemplou aqueles seres deixados para trás e esquecidos por seus criadores, decidindo ajudá-los ao remodelá-los em formas mais evolutivamente adequadas.
Com o retorno de uma divindade ao planeta, o núcleo do mesmo se acalmou, levando à estabilização do clima e tornando a superfície mais propícia à vida. Quando a tranquilidade se instalou, Hego subiu a montanha de Akróma, localizada no coração do planeta, e começou a moldar novamente as criaturas.
Hego deu início à criação das plantas, uma vez que o mundo ainda era um deserto árido e estéril. Espalhando-as por toda Arre agora batizada de Terra, ele deu início a uma cadeia alimentar que envolvia seres e criaturas. Esse sistema era impecável e perfeitamente equilibrado, o melhor que já existira até então. No entanto, Hego ainda não se sentia satisfeito com seus desejos e aspirações.
Antes de se tornar uma divindade, Hego era a singularidade responsável pela criação de sistemas complexos. No entanto, seus projetos nunca foram aprovados pelo alto conselho. Agora, livre das restrições impostas, ele poderia realizar seus testes e observar o funcionamento de perto. Assim, Hego criou os humanos, dedicando-se minuciosamente desde a estrutura óssea até o cérebro capaz de aprender e transmitir conhecimento.
Para que os testes fossem bem-sucedidos, Hego deixou os humanos por sua própria conta e risco, sem interferir diretamente em suas ações. Inicialmente, ele criou quatro grupos de humanos que se espalharam e multiplicaram rapidamente. Em menos de dois mil anos, os humanos já haviam ocupado todos os cantos da Terra, mas ainda não haviam progredido significativamente no campo do conhecimento. Eles estavam estagnados em seu desenvolvimento intelectual.
Por volta de 1900 a.C., Hego estava realizando suas anotações rotineiras sobre o progresso de seu experimento quando fez uma descoberta surpreendente. Em uma cratera de um antigo vulcão, ele encontrou um ser que não se lembrava de ter criado, mas que claramente era humano. Intrigado, ele se aproximou para conversar com o ser, que se apresentou como Fallmora.
Hego, curioso, procurou pela assinatura genética do criador no código de Fallmora e para sua surpresa, encontrou a sua própria assinatura. Diante desse achado intrigante, ele permitiu que Fallmora continuasse a viver, embora restringindo sua permanência apenas à cratera. Hego não tinha certeza sobre a verdadeira natureza de Fallmora e preferiu não arriscar sua interação com o resto do mundo até entender melhor quem ela era.
Hego começou a visitar frequentemente a cratera para monitorar o ser chamado Fallmora. Ele observou que Fallmora possuía habilidades notáveis no campo da medicina, o que despertou grande interesse em Hego. Ele percebeu que a partir desse encontro fortuito, algo promissor poderia se desenrolar e marcar um avanço significativo em sua criação.
Intrigado pela habilidade medicinal de Fallmora, Hego decidiu estudar de perto suas práticas e observar como ela aplicava seus conhecimentos no cuidado com outros seres humanos. Ele reconheceu que a contribuição de Fallmora poderia ser um passo crucial no desenvolvimento e progresso da espécie humana. A partir desse ponto, a interação entre Hego e Fallmora se tornou uma troca constante de conhecimentos e experiências, com ambos trabalhando em conjunto para impulsionar o avanço na medicina e em outros campos do conhecimento humano.
Em questão de meses, Hego criou os mais aterradores pesadelos que os humanos poderiam imaginar. Um deles era Cyprianus, uma modificação de um peixe humanoide alado. Cyprianus possuía impressionantes doze metros de altura e quase uma tonelada de peso. A ele foi confiada a essência da primeira árvore, que carregava o poder do cosmos, permitindo que Cyprianus criasse criaturas menores e mais fracas.
Cyprianus foi lançado nas profundezas do mar, em uma cidade de corais, enquanto seus servos, chamados de Acruans, emergiam até a superfície para caçar alimento para seu mestre. Essas criaturas sombrias e aterrorizantes se tornaram uma presença ameaçadora nos mares, espalhando medo e pavor entre as demais espécies marinhas e até mesmo entre os humanos que ousavam se aventurar em suas águas.
Mitu, a segunda fera criada por Hego, era um subjugador humanoidgoat com traços de dragão. Inicialmente, ela foi colocada nas montanhas, mas logo decidiu explorar o subsolo. Mitumu possuía a habilidade de gerar dragões a partir de qualquer material que estivesse em seu campo de visão. Com o passar dos dias, Mitumu percebeu que suas criações ficavam mais fortes quando utilizava materiais raros e preciosos.
Determinado a criar seres cada vez mais poderosos, Mitumu ordenou que suas criações buscassem pelo mundo as coisas mais raras e preciosas existentes. Em meio a essa busca incansável, um dia chegou até Mitumu um simples colar feito à mão por um artesão de tempos distantes. No colar estava escrito: "Para minha querida Karen". Essa descoberta despertou a curiosidade e o questionamento em Mitumu, levando-o a refletir sobre o significado por trás daquele objeto e a possibilidade de existirem outras histórias ocultas nas criações do mundo.
Quando o rito para criar o dragão começou, a joia que continha o colar fervilhou intensamente. À medida que o rito foi concluído, os céus e a terra tremeram em uma poderosa manifestação. Na cratera de Fallmora, abriu-se um buraco grandioso com um raio de 100 metros, e a lava do coração da Terra começou a jorrar em grande quantidade.
Chama: Eterna,
Before Stonepunk
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