Divindades
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Divindades
Na antiguidade, antes que as primeiras civilizações surgissem e antes mesmo que a história pudesse ser medida pelo tempo, existiram seres de poder inigualável provenientes de uma dimensão superior conhecida como Abyssethar.
Esses seres não eram deuses em sua origem, eram conhecidos como singularidades, existências capazes de manipular aspectos fundamentais da realidade e de criar estruturas, conceitos e fenômenos que posteriormente formariam parte daquilo que hoje é conhecido como Eterna.
Para uma Singularidade, mundos inteiros poderiam ser tratados como obras. Matéria, energia, espaço, vida e até determinados conceitos eram elementos que podiam ser moldados por sua vontade. A principioEterna era apenas parte desse trabalho, isso mudou com Aevum Primus.
O aprisionamento das Singularidades
Por razões ainda discutidas entre estudiosos, sacerdotes e entidades antigas, Aevum Primus atraiu diversas Singularidade para o interior da Eterna em uma espécie de êxodo.
Uma vez dentro da Eterna, as singularidades já não conseguiam retornar completamente para Abyssethar, sua existência, antes incompatível com as limitações da Eterna, foi comprimida para que pudesse permanecer dentro dela, tal processo não destruiu as singularidade, mas reduziu drasticamente aquilo que eram capazes de fazer.
Seres que anteriormente observavam universos como objetos passaram a existir dentro de sua própria criação e assim surgia as primeiras Divindades.
A transformação não foi apenas física, ao serem confinadas, as Singularidades passaram a obedecer às regras da realidade que haviam ajudado a construir. Espaço, causalidade, matéria e diversas outras forças começaram a limitar suas ações.
Uma Divindade continuava sendo absurdamente poderosa quando comparada às criaturas mortais, mas era apenas uma sombra da existência que possuía em Abyssethar, essa condição é conhecida por alguns textos religiosos como Desagração.
Este evento é visto de forma difusa pelas Divindades, pois para umas foi uma tragedia a outras uma benção mas, para grande maioria, uma humilhação jamais perdoada.
As Graças de Illiphar
Após o confinamento das Singularidades, Illiphar concedeu às novas Divindades aquilo que ficou conhecido como Graças ou dadivas, cada Graça estabelecia uma conexão especial entre uma Divindade e algum aspecto da Eterna.
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Esses aspectos não eram escolhidos aleatoriamente, em grande parte, estavam relacionados às criações, funções ou interesses que aquela Singularidade possuía antes de seu aprisionamento.
Uma Singularidade responsável por moldar oceanos, por exemplo, poderia tornar-se uma Divindade associada à água.
Outra que tivesse estudado ou organizado ciclos de causalidade poderia receber domínio sobre determinados aspectos do tempo.
Por esse motivo, o poder de uma Divindade não deve ser entendido simplesmente como uma habilidade.
Seu aspecto faz parte de sua própria existência.
Uma Divindade ligada às tempestades não apenas controla tempestades.
Ela possui uma conexão metafísica com o próprio conceito da tempestade dentro da Eterna.
Quanto maior a manifestação desse conceito, maior pode ser sua influência.
Porém, as Graças possuem limites.
Nenhuma Divindade controla completamente um conceito universal.
O domínio representa uma afinidade extraordinária, não uma autoridade absoluta.
Duas ou mais Divindades podem inclusive possuir aspectos semelhantes, embora geralmente expressem esses conceitos de maneiras diferentes.
Aspectos Divinos
O Aspecto Divino é o fenômeno ou conceito da Eterna sobre o qual uma Divindade possui influência excepcional.
Alguns aspectos são extremamente concretos:
-
fogo;
-
água;
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vento;
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pedra;
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plantas;
-
metais.
Outros podem ser muito mais abstratos:
-
memória;
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guerra;
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inspiração;
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conhecimento;
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transformação;
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destino;
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medo;
-
sonhos.
Existem ainda Divindades cuja Graça não corresponde diretamente a nenhum fenômeno claramente reconhecido.
Essas entidades são normalmente classificadas entre as Divindades Neutras.
Ao longo das eras, estudiosos tentaram organizar os Aspectos Divinos em grandes categorias.
Dessa tentativa surgiram os chamados Panteões gerais.
Panteões Gerais
Os Panteões gerais não representam necessariamente alianças.
São classificações utilizadas para agrupar Divindades de acordo com a natureza de seus poderes.
As categorias tradicionalmente aceitas são:
Divindades Elementais
Possuem domínio sobre elementos fundamentais da matéria ou da energia.
Entre seus aspectos podem existir fogo, água, vento, gelo, eletricidade, pedra, metais e fenômenos semelhantes.
São algumas das Divindades mais facilmente reconhecidas pelas civilizações mortais, pois suas manifestações costumam ser visíveis no mundo físico.
Divindades Temporais
Possuem relação com o fluxo do tempo.
Seus poderes podem envolver percepção temporal, ciclos, repetição, aceleração, desaceleração ou outros fenômenos relacionados à causalidade.
Devido ao potencial destrutivo de alterações temporais, essas Divindades normalmente estão entre as entidades mais observadas pelas demais.
Algumas das maiores catástrofes da história da Eterna foram associadas à manipulação irresponsável do tempo.
Divindades Naturais
São associadas aos sistemas vivos e aos fenômenos naturais da Eterna.
Florestas, animais, crescimento, reprodução, ecossistemas, oceanos e ciclos naturais podem estar ligados a essas entidades.
Muitas desenvolveram grande interesse pela vida mortal.
Algumas chegam a proteger determinadas espécies ou regiões durante milhares de anos.
Divindades da Guerra
Representam diferentes aspectos do conflito.
Nem todas são necessariamente violentas.
Algumas estão associadas à estratégia, disciplina ou proteção, enquanto outras personificam conquista, destruição, fúria ou massacre.
Por essa razão, duas Divindades da Guerra podem possuir filosofias completamente opostas.
Divindades Arcanas
Possuem conexão especialmente intensa com as forças mágicas existentes dentro da Eterna.
São frequentemente associadas à criação de sistemas arcanos, artefatos, rituais e fenômenos que desafiam as leis físicas convencionais.
Diversas tradições mágicas afirmam ter recebido seus primeiros conhecimentos através dessas entidades.
Divindades Ancestrais
Estão profundamente ligadas às origens de povos, espécies, linhagens ou civilizações.
Algumas são consideradas criadoras diretas de determinadas criaturas.
Outras apenas assumiram o papel de protetoras ao longo das eras.
Cultos ancestrais costumam enxergá-las menos como governantes e mais como progenitores distantes.
Divindades do Conhecimento
Relacionam-se à memória, descoberta, linguagem, lógica, ciência, história ou preservação de informações.
Algumas incentivam a disseminação do conhecimento.
Outras acreditam que determinadas verdades jamais deveriam chegar às mãos dos mortais.
Esse conflito tornou o próprio conhecimento uma fonte recorrente de disputas entre Divindades.
Divindades das Artes
Possuem aspectos relacionados à criatividade e à expressão.
Música, pintura, dança, literatura, arquitetura, imaginação e inspiração podem estar ligados a essas entidades.
Sua influência é frequentemente sutil.
Um artista pode passar toda a vida acreditando ter criado determinada obra sozinho sem perceber que foi brevemente tocado pela influência de uma Divindade.
Divindades do Caos
São associadas à transformação imprevisível, ruptura, instabilidade e desordem.
Isso não significa necessariamente que sejam malignas.
Para algumas delas, o caos representa mudança.
Para outras, liberdade.
E para algumas, simplesmente destruição.
Por essa razão, essa categoria é uma das mais temidas e menos compreendidas.
Divindades Místicas
Agrupam entidades relacionadas a conceitos cuja natureza não é completamente compreendida.
Sonhos, espírito, percepção, presságios e fenômenos metafísicos frequentemente aparecem entre seus aspectos.
Muitas Divindades Místicas possuem cultos pequenos e extremamente antigos.
Divindades Neutras
Nem todas as Divindades receberam um aspecto facilmente identificável através das Graças de Illiphar.
Algumas possuem poderes muito amplos.
Outras apresentam habilidades tão específicas que não se encaixam em qualquer classificação tradicional.
Essas entidades foram agrupadas artificialmente sob o termo Divindades Neutras.
Por esse motivo, a categoria é extremamente diversa.
Panteões Menores
Enquanto os Panteões gerais representam classificações de poder, os Panteões menores representam relações.
Divindades possuem personalidade.
Possuem opiniões.
Possuem ressentimentos.
E, principalmente, possuem memória.
Milhares ou milhões de anos de convivência criaram amizades, rivalidades, pactos e ódios que frequentemente ultrapassam eras inteiras.
Com o tempo, algumas Divindades começaram a se aproximar de outras que compartilhavam objetivos, valores ou simplesmente afinidade.
Assim surgiram os Panteões menores.
Um Panteão menor pode possuir Divindades pertencentes a diferentes Panteões gerais.
Uma Divindade Elemental, uma Divindade das Artes e uma Divindade da Guerra poderiam perfeitamente formar um mesmo Panteão menor caso compartilhassem uma causa.
Esses grupos podem funcionar como:
-
famílias;
-
alianças;
-
conselhos;
-
ordens;
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cortes;
-
pactos;
-
círculos de amizade;
-
coalizões temporárias.
Alguns existem há praticamente toda a história conhecida.
Outros sobrevivem apenas algumas décadas.
Divindades e os mortais
Depois do surgimento da vida dentro da Eterna, diferentes Divindades desenvolveram opiniões profundamente diferentes sobre suas próprias criações.
Algumas passaram a enxergar a vida mortal como algo precioso.
Outras como um experimento.
Outras como responsabilidade.
E algumas simplesmente como propriedade.
As Divindades mais interessadas nas civilizações frequentemente concedem pequenas manifestações de seus aspectos.
Essas manifestações ficaram popularmente conhecidas como graças divinas, embora sejam diferentes das Graças de Illiphar recebidas pelas próprias Divindades.
Elas podem aparecer através de:
-
bênçãos;
-
milagres;
-
artefatos;
-
profecias;
-
campeões;
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sacerdotes;
-
inspirações;
-
manifestações temporárias.
Entretanto, mesmo Divindades benevolentes raramente intervêm diretamente em grandes eventos.
A manifestação completa de uma entidade divina dentro da realidade física pode gerar consequências imprevisíveis.
Por isso, muitas preferem agir através de intermediários.
Benevolência e Malevolência
A divisão entre Divindades Benevolentes e Divindades Malevolentes surgiu principalmente entre as próprias civilizações mortais.
Ela não representa uma classificação metafísica absoluta.
Uma Divindade considerada benevolente por determinado povo pode ser vista como monstruosa por outro.
Ainda assim, algumas tendências são facilmente reconhecíveis.
As Divindades Benevolentes normalmente utilizam seus aspectos para proteger, orientar ou favorecer o desenvolvimento da vida dentro da Eterna.
As Divindades Malevolentes utilizam seus poderes para dominação, sofrimento, vingança ou destruição.
Entre esses dois extremos existem inúmeras entidades indiferentes.
Algumas Divindades poderiam observar a queda de uma civilização inteira sem sentir qualquer necessidade de interferir.
Para uma criatura que existia antes das primeiras sociedades e talvez continue existindo depois das últimas, algumas centenas de milhares de mortes podem representar pouco mais do que um evento histórico.
Conflitos Divinos
As Divindades não possuem uma autoridade central reconhecida por todas.
Consequentemente, disputas entre elas são inevitáveis.
Entretanto, guerras divinas diretas são raras.
Quando duas Divindades utilizam todo o seu poder uma contra a outra, as consequências podem atingir regiões enormes da Eterna.
Por esse motivo, conflitos costumam ocorrer através de:
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campeões mortais;
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cultos;
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civilizações;
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criaturas;
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artefatos;
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disputas territoriais;
-
guerras por influência.
Algumas guerras consideradas completamente mortais tiveram, em realidade, origem em rivalidades entre entidades muito mais antigas.
Divindades Caídas
Existe uma categoria que não aparece nas classificações tradicionais.
As Divindades Caídas.
Sua ausência é proposital.
Documentos religiosos, registros históricos e até determinados sistemas de conhecimento foram deliberadamente alterados para minimizar qualquer referência à sua existência.
O motivo é simples:
conhecimento pode gerar culto.
Culto pode gerar influência.
E influência pode permitir retorno.
As Divindades Caídas são entidades que, por diferentes razões, foram removidas da convivência com as demais Divindades e aprisionadas.
Algumas cometeram atos considerados imperdoáveis.
Outras buscaram romper os limites impostos às antigas Singularidades.
Há também aquelas cuja própria existência tornou-se perigosa para a estabilidade da Eterna.
Diversas foram lançadas em locais que não deveriam ser alcançados por criaturas mortais.
Entre eles estão regiões relacionadas aos Abismos da sombra e ao Limiar dos Caídos.
Seus nomes foram apagados.
Seus símbolos foram destruídos.
Seus templos foram enterrados.
E seus seguidores perseguidos durante inúmeras eras.
Ainda assim, alguma coisa sempre permanece.
Um símbolo gravado em uma ruína.
Uma oração sem significado aparente.
Um artefato impossível de identificar.
Um nome repetido em sonhos.
É assim que muitas Divindades Caídas começam a retornar.
Não através da força.
Mas através da lembrança.
A grande contradição das Divindades
Apesar de serem adoradas como seres superiores, todas as Divindades carregam a mesma verdade:
elas também estão presas.
A Eterna pode ser o universo inteiro para seus habitantes.
Para as Divindades, ela também é uma prisão.
Algumas aceitaram essa realidade e passaram a considerar a Eterna seu verdadeiro lar.
Outras encontraram propósito protegendo aquilo que ajudaram a criar.
Algumas ainda procuram compreender os motivos de Aevum Primus.
E existem aquelas que jamais abandonaram um único objetivo:
retornar para Abyssethar.
Mesmo que, para isso, precisem romper a própria Eterna.
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