Pular para o conteúdo
SystempunkWiki

**Fenescorte — Os Guardiões Quietos da Travessia**

Atualizado em 23 de nov. de 2025
Nesta página

Ethereon

Introdução

Em meio às imensidões das Planícies da Concretude, ergue-se uma dimensão onde a própria cor parece ter sido apagada da criação. Ali, tudo é branco — não o branco da pureza, mas o branco do esquecimento absoluto. Um vasto vazio luminoso, infinito, suavemente envolto por uma névoa eterna que ondula como um suspiro preso entre mundos.

Esse lugar é conhecido como Ethereon, o Limiar Entre Existências. Todas as almas, de qualquer canto de Prismora, inevitavelmente cruzam seu horizonte pálido antes de serem conduzidas ao destino final que o cosmo lhes reservou. Para algumas, a travessia é breve; para outras, um tormento silencioso que dura eras.

No coração desse reino solitário, existe apenas uma presença constante:
o Andarilho Primordial, o Guardião do Silêncio, o último guia das almas — Nihilus.

Nihilus não é apenas um vigia. Ele é o próprio vazio que sustenta Ethereon. Seu nome evoca o eco do nada, e sua existência personifica tanto o fim quanto o início — a ausência absoluta e a completude inevitável. É dito que seus olhos, quando visíveis, refletem todas as vidas que já existiram e todas que ainda irão existir.

À medida que as almas errantes avançam pela vastidão pálida, elas carregam consigo suas memórias, erros, medos e desejos. Mas, quanto mais se distanciam do mundo dos vivos, mais esses fragmentos se dissolvem na brancura de Ethereon. Nesse estado de semi-esquecimento, elas vagam incapazes de encontrar outras almas, pois o próprio solo desvia seus caminhos para que jamais se cruzem — um mecanismo imposto pela dimensão, cruel e misericordioso ao mesmo tempo.

A solidão aqui não é circunstância; é lei.
Somente almas de pureza rara conseguem cruzar as planícies sem perder parte de si. Todas as demais experimentam o peso de suas próprias sombras enquanto esperam, em silêncio, o encontro inevitável com Nihilus.

E quando finalmente o encontram, a jornada termina. O Andarilho as guia até a antiga Fonte de Vitália — o único vestígio de construção nesse plano — onde, ao beberem, aliviam a sede da alma deixada pelos desertos da perda e do silêncio. E no instante em que erguem a cabeça para agradecer… Ethereon desaparece, revelando a verdadeira dimensão para a qual foram destinadas.

Acima de Ethereon repousa Prismora, o grande palco da existência.
Abaixo… apenas o Domínio dos Renegados, o destino das almas que se perderam antes de encontrar o guia.

Assim caminha Nihilus, eterno e solitário, seguindo seu propósito sagrado entre a névoa branca. Para os que chegam exaustos e quebrados, ele é farol; para os que temem o juízo, ele é silêncio; para o universo, ele é o último ponto fixo antes da eternidade.

Geografia

A partir dos escombros da antiga Fonte de Vitália, estende-se um mundo que desafia a própria noção de forma e distância. Ethereon é uma paisagem branca — não o branco natural da neve ou da luz, mas um branco absoluto, sem textura, sem vida, sem tempo. A vastidão que se abre diante das almas é tão grande que até o conceito de horizonte parece inexistente, dissolvido na névoa leitosa que encobre tudo.

Embora o terreno pareça plano à primeira vista, quem caminha por ele percebe ondulações sutis, dunas que não existem até serem pisadas e vales que surgem apenas para desaparecer minutos depois. Montanhas pálidas rasgam a névoa em formas impossíveis, como se fossem apenas memórias de montanhas, sombras do que um dia foi sólido.

Ethereon é uma dimensão minimalista por intenção divina — um palco vazio onde apenas a alma e sua consciência importam.

A Física do Esquecimento

A geografia deste lugar segue leis próprias, moldadas pela natureza espiritual da dimensão. O solo não é realmente chão, mas uma superfície ilusória que reage ao peso das memórias, não ao peso dos passos.

Por isso:

  • duas almas jamais caminham para o mesmo ponto, mesmo que tentem;
  • o espaço se dobra suavemente para afastá-las umas das outras;
  • trilhas, passos e marcas somem em poucos segundos, como se o mundo rejeitasse qualquer vestígio de permanência.

Este mecanismo é chamado pelos estudiosos prismorianos de A Distorção da Solidão, um fenômeno que garante que cada alma enfrente sua jornada de introspecção sem interferência. Somente pela vontade direta de Nihilus esse desvio cessa — e, quando isso acontece, nunca é por razões agradáveis.

O Terror das Dunas Profundas

As dunas de Ethereon são mais do que simples elevações de areia branca. Algumas são apenas ilusões visuais; outras escondem estruturas cristalinas que vibram com os pensamentos das almas que passam. Há relatos de que certas dunas sussurram memórias perdidas, ou evocam fragmentos de vidas que poderiam ter sido.

As almas mais fracas se perdem nesses sussurros e afundam lentamente até desaparecerem, sendo então atraídas para o Domínio dos Renegados.

A Ilusão do Horizonte

Não existe um sol, nem céu, nem nuvens. A claridade branca não tem fonte — ela simplesmente é. Assim, não há horizonte real; apenas um infinito onde tudo se mistura com a névoa. Alguns andarilhos acreditam que esse branco absoluto é, na verdade, o interior de um colosso adormecido que sustenta o mundo espiritual, mas essa teoria nunca foi confirmada.

A Fonte de Vitália – O Único Vestígio de Civilização

A Fonte de Vitália No centro da dimensão, como se fosse um umbigo cósmico, repousa a Fonte de Vitália, uma construção grega corrompida pelo tempo. Suas colunas quebradas emergem da areia branca, e a bacia, outrora cristalina, agora guarda uma água turva e esverdeada — a última dádiva oferecida às almas antes do juízo de Nihilus.

O solo ao redor da fonte é o único local estável e físico de Ethereon. Ladrilhos de mármore branco se estendem do monumento até desaparecerem gradualmente na névoa, como se fossem engolidos pelo vazio.

Para as almas, a fonte é um milagre e uma prova de que, apesar de tudo, há um fim para o silêncio.

O Forte dos Ossos

Fonte dos Ossos Muito além das dunas, escondido no limite onde a brancura se dobra sobre si mesma, existe o enigmático Forte dos Ossos — uma fortaleza parcialmente em ruínas, construída com colunas de marfim fossilizado e paredes feitas de camadas de restos espirituais. Ele serve como um farol dimensional, guiando entidades que entram em Ethereon por caminhos não convencionais.

Todos que surgem ali são levados para um salão de jantar luxuoso e silencioso, onde Nihilus aparece não como guia, mas como anfitrião. Ninguém sabe por que esses poucos recebem tal recepção, mas todos os relatos concordam em uma coisa:
ninguém entra no Forte dos Ossos sem sair transformado — para melhor ou para pior.

Níveis Ocultos da Dimensão

Sábios especulam que Ethereon possui camadas invisíveis:

Essas camadas nunca foram oficialmente mapeadas — apenas sentidos.

Localizações

Ethereon é uma dimensão quase vazia, mas seus poucos marcos são tão poderosos e simbólicos que moldam completamente a experiência das almas que ali passam. Não há cidades, florestas ou monumentos — apenas ecos do que um dia foi, fragmentos de propósito deixados pelo Criador e preservados por Nihilus.

A seguir estão os locais mais significativos desse plano, cada um carregando um papel fundamental no ciclo espiritual entre Prismora, Ethereon e o Domínio dos Renegados.


A Fonte de Vitália — O Último Alívio

A Fonte de Vitália é a única estrutura plenamente “real” de Ethereon. Suas colunas gregas quebradas e seu mármore envelhecido contrastam com a imensidão branca que a cerca. Espalhados ao redor, ladrilhos desgastados se estendem por dezenas de metros antes de desaparecerem gradualmente no vazio — como se o próprio mundo não suportasse a presença de algo tão sólido.

Há teorias de que Vitália foi o primeiro ponto a ser ancorado em Ethereon quando Nihilus recebeu seu propósito cósmico. Outros acreditam que a fonte antecede até mesmo o próprio Nihilus, sendo um fragmento da criação original deixado pelas Supra-Singularidades.

A Água da Memória

A água parada dentro da fonte é turva, quase esverdeada, como se estivesse infestada de tempo antigo. Contudo, para as almas penitentes, ela é um bálsamo fundamental:

  • Ela alivia a sede espiritual causada pela travessia das planícies brancas.
  • Ela impede que a alma se desfaça completamente de suas memórias, reestabelecendo uma fagulha de consciência.
  • Ela prepara a alma para o encontro com seu destino final.

Alguns estudiosos afirmam que essa água é “memória líquida”, resquícios condensados das experiências das almas que já passaram por Ethereon.

O Ritual da Chegada

Quando uma alma finalmente encontra Nihilus, ele a conduz em silêncio até a fonte. Ao bebê-la:

  • a alma recupera sua última centelha de lucidez,
  • olha para cima para agradecer…
  • e descobre que Ethereon desapareceu, revelando o plano ao qual ela pertence.

Esse momento é conhecido como O Erguimento.


O Forte dos Ossos — O Farol Entre Planos

Escondido além das dunas mais profundas de Ethereon está o misterioso Forte dos Ossos. É uma fortaleza construída com colunas e arcos formados por espessas placas de marfim fossilizado, ossos de criaturas ancestrais e restos espirituais petrificados. Apesar de estar em ruínas, ele irradia uma presença quase divina e incompreensível.

O forte não é um lugar acessível a almas comuns. Ele só é encontrado por:

  • entidades que entram em Ethereon por caminhos não naturais,
  • viajantes dimensionais,
  • anjos exilados,
  • forças renegadas tentando escapar do Domínio dos Renegados,
  • ou seres que Nihilus deseja encontrar fora dos protocolos da travessia.

O Salão do Banquete

Todos os que adentram o Forte são recebidos no Salão de Jantar dos Silêncios, um ambiente luxuoso demais para existir em Ethereon:

  • Uma mesa longa, coberta com alimentos que não podem ser comidos.
  • Talheres que não brilham com luz, mas com lembranças.
  • Velas que queimam sem fogo, iluminando memórias esquecidas.
  • Quadros nas paredes que nunca repetem a mesma imagem.

Nihilus aparece diante desses “convidados” como anfitrião, não como guia. Ali, ele conversa, avalia, questiona — e às vezes julga.

O que ocorre nesse salão raramente é relatado. Os poucos que voltam perdem parte da memória, como se cada palavra dita ali fosse selada pelo próprio plano.

Função do Forte

O Forte dos Ossos funciona como:

  • um índice dimensional, conectando Ethereon a outros reinos;
  • uma prisão espiritual, onde entidades perigosas são mantidas contidas;
  • um tribunal, quando Nihilus decide intervir diretamente no destino de certas almas.

O deus esquecido Skarneon, por exemplo, está acorrentado nos níveis mais profundos do Forte.


O Labirinto Branco — O Caminho Indireto

Embora invisível a olho nu, toda a superfície de Ethereon se comporta como um enorme labirinto, composto por caminhos que nunca permanecem na mesma posição. As almas caminham por ele sem perceber, guiadas:

  • por suas próprias memórias,
  • pela vontade sutil do plano,
  • ou pela mão invisível de Nihilus.

O labirinto tem três funções:

  1. Separar as almas, impedindo encontros indesejados.
  2. Purificar o espírito através da solidão.
  3. Testar a resistência emocional e mental.

É dito que apenas uma alma puríssima consegue caminhar pelo labirinto sem ser desviada.


As Dunas do Silêncio — O Mar de Esquecimento

As dunas alvas, que parecem de areia, são na verdade feitas de matéria espiritual fragmentada. Em alguns pontos, parecem tão leves que se movem como fumaça. Em outros, pesam como séculos de arrependimento.

Elas sussurram.
Elas observam.
Elas lembram.

Algumas dunas são passagens para o Domínio dos Renegados, e é delas que surgem criaturas como o Fenescorte. Outras contêm ecos de vidas anteriores, afundando almas fracas que cedem ao desejo de reviver o passado.

Essas dunas são o maior teste da jornada no limiar.


Limiares Invisíveis — Os Portões Sem Forma

Ethereon contém limites que não podem ser vistos, apenas sentidos: regiões onde a luz muda, a névoa pulsa ou o chão se torna mais firme ou mais líquido. São fronteiras naturais que dividem a dimensão em camadas, como:

  • A Bruma Exterior – onde as almas surgem.
  • A Planície Central – berço da Fonte de Vitália.
  • A Trilha da Dissolução – onde memórias começam a desvanecer.
  • A Profundidade Alva – lar do Fenescorte e de fluxos espirituais.
  • As Masmorras do Forte – onde Skarneon permanece preso.
  • O Calço da Realidade – o ponto oculto onde Nihilus repousa quando não guia almas.

Nenhum mapa pode capturar essas camadas — elas mudam o tempo todo, reagindo à presença emocional das almas que atravessam Ethereon.

Fauna

Apesar de Ethereon parecer um deserto infinito de brancura, seu vazio é apenas aparente. Criaturas antigas, espíritos primordiais e seres esquecidos caminham silenciosamente pelo limiar, alguns servindo a Nihilus, outros simplesmente existindo além da compreensão dos mortais.

As criaturas que habitam Ethereon não seguem as leis da biologia, mas da espiritualidade, do esquecimento e da dissolução da alma.

Abaixo estão as mais importantes espécies conhecidas.


Fenescorte — Os Guardiões Quietos da Travessia

Fenescorte é uma criatura lendária, citada em antigas escrituras de Clavis Artesanus e mencionada em relatos de almas que atravessaram Ethereon. Seu nome une "feneco" com "escolta", mas poucos ousam reduzi-los a simples raposas.

Eles não são animais — são projeções vivas do próprio Ethereon.

Aparência

Os Fenescorte possuem corpo semelhante ao de uma pequena raposa, mas feito de um branco tão puro que se confunde com o ambiente. Seu contorno cintila como areia ao vento; em alguns momentos parecem sólidos, em outros, apenas miragens.

  • O pelo é tão claro que se torna quase translúcido.
  • As pernas finas parecem se desfazer em partículas, como se fossem feitas da própria areia espiritual.
  • Seus olhos são duas pequenas fendas de luz pálida, suaves e melancólicas.

Quando correm, deixam breves rastros luminosos que desaparecem em segundos.

Origem

Ninguém sabe como nascem, se é que nascem. A teoria mais aceita é que:

Eles são fragmentos do próprio Nihilus, manifestações de sua compaixão silenciosa.

Outros acreditam que são almas que atingiram um nível puro demais para seguir e escolheram ficar, auxiliando outras almas perdidas.

Comportamento

Os Fenescorte aparecem apenas quando uma alma está:

  • prestes a se perder no esquecimento,
  • emocionalmente fraca demais para continuar,
  • ou começando a afundar nas Dunas do Silêncio.

Eles não falam, não tocam e não interagem fisicamente. Eles apenas caminham ao lado das almas, orientando-as até que retomem o caminho destinado.

Quando uma alma está além de qualquer esperança — corrompida, quebrada ou fragmentada — os Fenescorte assumem outra função:

Eles escoltam a alma até o Domínio dos Renegados.

Não como punição, mas como última misericórdia: melhor cair no inferno espiritual do que dissolver para sempre.

Risco ao viajante

Nunca atacam.
Nunca provocam.
Nunca se irritam.

Eles simplesmente existem para equilibrar Ethereon.

Alguns acreditam que tentar atacar ou capturar um Fenescorte provoca apenas uma consequência:
o atacante observa sua própria mão atravessar o corpo etéreo da criatura — e sente seu espírito enfraquecer momentaneamente.

Nenhuma morte foi registrada, nem mesmo em agressões diretas.


Skarneon — O Deus do Esquecimento

Skarneon Skarneon é uma entidade colossalde forma escorpiônica, aprisionada nas masmorras mais profundas do Forte dos Ossos. Ele não é apenas um monstro — é um deus antigo, tão velho que seu nome antecede Prismora.

Se Nihilus representa o caminho,
Skarneon representa a perda do caminho.

Aparência

Preso por enormes correntes espirituais, Skarneon é um escorpião gigantesco feito de:

  • carapaça negra rachada,
  • ossos expostos que brilham como mármore negro,
  • garras que arranham o chão e liberam faíscas de alma,
  • um ferrão composto de memórias corrompidas.

Seu corpo todo emite um calor seco, desagradável, como se queimasse tudo que é lembrança.

Poder Essencial: A Afundação

Skarneon possui um desejo instintivo, quase biológico:

Ele quer afundar as almas no esquecimento.

Se solto, ele mergulharia nas dunas e abriria túneis por onde arrastaria almas aterrorizadas, puxando-as para baixo da areia branca até jogá-las diretamente no Domínio dos Renegados.

Mas há algo muito pior:

As almas jogadas por Skarneon não encontram o caminho até a Bahia dos Esquecidos.
Elas se perdem eternamente no Rio Stix, tornando-se ecos vazios, espíritos que jamais descansam.

É por isso que ele está acorrentado desde a criação de Ethereon.

Origem

Alguns textos antigos afirmam que Skarneon nasceu do “medo primordial das Supra-Singularidades”. Outros dizem que ele era um guardião de portais antes de enlouquecer com o peso das almas corrompidas.

Nihilus nunca comenta sobre sua origem.

Por que não é destruído?

Destruir Skarneon seria romper o equilíbrio mortal do pós-vida. O esquecimento é necessário:

  • para almas que escolheram a corrupção,
  • para memórias que não podem seguir para Prismora,
  • para impedir que o Domínio dos Renegados invada Ethereon,
  • para manter Nihilus isolado do fardo absoluto.

Nihilus o mantém vivo porque a existência de Skarneon impede a sobrecarga do limiar.

Sem ele, Ethereon colapsaria.

Comportamento

Mesmo preso, Skarneon:

  • bate suas garras incessantemente,
  • rasteja em círculos,
  • tenta afundar partes de seu corpo na areia sempre que possível,
  • sussurra nomes de almas que estão prestes a se perder.

Algumas almas mais sensíveis escutam seu chamado — e são atraídas para suas masmorras.


Outras Criaturas Menores

(Estas são sugestões que podemos expandir se quiser.)

Anfisolhos

Fragmentos de memórias que ganharam forma de olhos flutuantes. Apenas observam.

Hálucares

Pequenos ventos que carregam sussurros de vidas passadas. Podem enlouquecer almas vulneráveis.

Ecos Dissolvidos

Resquícios de almas que perderam suas identidades.

Aracnídeos do Vazio

Criaturas invisíveis que tecem fios feitos de lembranças. Só Nihilus as vê.

Flora

Ethereon não possui vida como compreendida em Prismora. Não há árvores, flores ou raízes naturais. No entanto, a energia espiritual condensada deste plano cria fenômenos vegetativos que imitam a vida orgânica — embora feitos de memória, luz, areia e esquecimento.

Essas manifestações são raras, instáveis e frequentemente perigosas, mas sua presença revela muito sobre a natureza profunda da dimensão.

A seguir, os principais elementos “vivos” — ou quase vivos — que habitam Ethereon.


Memorialias — As Árvores da Lembrança Adormecida

Arvore das Memorias

As Memorialias são as “árvores” de Ethereon, embora sua aparência seja muito distante do conceito tradicional. Elas se erguem solitárias nas planícies brancas:

  • troncos feitos de luz sólida,
  • galhos longos e translúcidos como vidro,
  • folhas que parecem pequenos fragmentos de memórias cintilantes.

Quando o vento da eternidade sopra, as folhas vibram e liberam ecos de lembranças antigas. Nem sempre são memórias da alma que as observa — muitas vezes são fragmentos de vidas totalmente desconhecidas.

Função espiritual

As Memorialias servem como:

  • pontos de ancoragem emocional,
  • estabilizadores do terreno,
  • e “faróis” de lembranças preservadas.

Alguns acreditam que são os restos finais de almas que recusaram o esquecimento completo, transformando-se em pilares vivos de lembranças eternas.

Risco

Aproximar-se demais pode fazer uma alma reviver memórias que não lhe pertencem, causando confusão ou colapso emocional.
Nihilus evita levá-las até as Memorialias.


Herbalux — O Capim da Essência Dissolvida

Herbalux O Herbalux parece uma fina vegetação rasteira, semelhante a um campo de capim branco. Ele cresce em áreas onde:

  • uma alma foi destruída,
  • ou onde memórias foram arrancadas,
  • ou onde Skarneon tentou emergir.

Cada talo brilha com um calor suave, como brasas adormecidas.

Função espiritual

O Herbalux absorve:

  • resíduos de energia espiritual,
  • lágrimas não derramadas,
  • memórias abandonadas,
  • fragmentos da essência das almas.

Quando uma alma pisa nele, o capim reage:

  • balança suavemente como se estivesse respirando,
  • libera um pó brilhante que fortalece a consciência,
  • mas pode também despertar lembranças dolorosas que estavam inativas.

Perigo

Se uma alma muito frágil pisa no Herbalux, o capim pode “sugar” parte de sua identidade, enfraquecendo-a.

Fenescortes são frequentemente vistos observando essas áreas à distância.


Flores Cinerárias — O Broto do Esquecimento

Flores Cinerárias

As Cinerárias são as únicas flores verdadeiras de Ethereon — e ao mesmo tempo, não são flores. Elas surgem espontaneamente no exato local onde uma alma:

  • foi esquecida,
  • desistiu da travessia,
  • ou caiu para o Domínio dos Renegados.

Elas não têm cor.
São flores cinzas, eternas, delicadas e frias como cinza de fogueira.

Características

  • Seus pétalos parecem carvão compacto.
  • Ao tocar, se desfazem em pó que flutua no ar e some na névoa.
  • Não têm cheiro, mas algumas almas juram sentir aroma de algo familiar (normalmente relacionado à vida passada).

Função espiritual

São marcadores naturais de locais onde uma alma se perdeu para sempre.

Nihilus nunca toca nelas.
Nem mesmo o Andarilho ousa interferir nesses pontos.

É dito que cada Cinerária é o epitáfio silencioso de um espírito que nunca será lembrado por ninguém.


Cristais de Alma — As Raízes do Limiar

Cristais de Alma

Espalhados pelo subterrâneo de Ethereon, existem aglomerados de cristais brancos que crescem como formações vegetais. Eles são chamados de Cristais de Alma, pois:

  • brilham conforme o fluxo de almas na superfície;
  • parecem pulsar ao ritmo da existência;
  • e reagem à proximidade de Nihilus.

Quando tocados, produzem sons semelhantes a batimentos cardíacos — lentos, melancólicos e distantes.

Origem

Teóricos acreditam que esses cristais são raízes do próprio plano, uma rede espiritual que sustenta o equilíbrio entre Ethereon e o Domínio dos Renegados.

Quando uma alma se aproxima, os cristais:

  • ficam opacos se ela carrega peso e culpa,
  • brilham se ela está pronta para partir,
  • quebram se a alma está corrompida.

Skarneon se alimenta do pó destes cristais, o que explica porque ele absorve almas tão eficientemente.


Nebullis — A Neblina Vegetativa

Nebullis A Nebullis não é planta, mas sim um organismo atmosférico, uma forma de “vegetação aérea” que cresce como raízes de névoa no ar.

Ela forma fios finos que lembram musgos ou cipós suspensos, movendo-se como se estivessem vivos. Ao ser tocada, desmancha-se e se recompõe lentamente.

Função espiritual

A Nebullis reage à energia emocional:

  • se a alma está calma → ela abre caminho;
  • se a alma está em caos → ela se fecha, criando labirintos;
  • se a alma está corrompida → ela pressiona, sufocando, conduzindo para as dunas.

Na presença de Nihilus, a Nebullis recua completamente.


Lumespírios — Cogumelos de Luz Fragmentada

Pequenos corpos luminescentes que brotam em falhas do terreno, principalmente próximas às masmorras do Forte dos Ossos. São semelhantes a cogumelos, mas feitos de luz estática.

Características

  • pulsação irregular, como se fossem respirações falhas;
  • sua luz muda conforme a proximidade de Skarneon;
  • se acumulam em locais onde realidades se atritam.

Função

Eles revelam instabilidades na dimensão, indicando:

  • presenças perigosas,
  • passagens secretas,
  • rachaduras entre Ethereon e o Domínio dos Renegados.

Nesta pasta

Grafo local

Carregando…